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Livro de Estilo

Regras de estilo

Índice

Regra

As abreviaturas resultam da supressão de letra(s) em palavras para economia de tempo, esforço e materiais. As letras suprimidas são frequentemente substituídas por um ponto, na sequência do qual pode vir uma ou mais letras em expoente. As abreviaturas devem usar-se com parcimónia, reservando-se sobretudo para quando a falta de espaço (tabelas, gráficos) as justifiquem. Devem usar-se também com coerência. Ou seja, havendo mais de uma forma para algumas, deve usar-se sempre a mesma forma.

Exemplos

texto
https://bibliotronicaportuguesa.pt/colecao/lista-de-abreviaturas/

Regra

Por razão de economia é, por vezes, usada a barra oblíqua (/) ou os parênteses () na sequência de uma palavra, para indicar uma alternativa possível. Convém distinguir estas duas possibilidades. a) O parêntese usa-se quando é possível acrescentar elementos a uma palavra e com tal acrescento transformá-la de forma a torná-la plural, feminina etc. b) A barra oblíqua usa-se quando a alternativa implica uma substituição de letras na palavra, de modo a que a transformação da palavra gere a alternativa desejada.

Exemplos

texto

Esta(s) palavra(s) deverá/ão alterar o(s) sentido(s) do texto.

Regra

Usam-se, em primeiro lugar, seja qual for a situação, as aspas sobre a linha (« »). Caso seja necessário usar aspas dentro de texto que já se encontre entre aspas, usem-se as aspas acima da linha (” “). Se for necessário usar aspas dentro de texto que já se encontre entre aspas acima da linha, usem-se plicas (‘ ‘). Recorrer-se-á a aspas para identificar a) citações que se encontrem integradas em texto não citado; b) palavras ou expressões usadas em sentido desviado; c) segmentos de texto que esteja a ser referido no texto que o acolhe; d) títulos internos, como títulos de artigos, de capítulos ou afins.

Exemplos

texto

a) Nas janelas havia inscrições, onde se lia «bem-vindos»; b) As bactérias «calculam» o número de participantes nos grupos que formam; c) A palavra «populismo» deve usar-se com o devido cuidado, para não produzir confusão entre populismo e popularidade; d) «Editorial», «A menina Arminda», «Telejornal».

Regra

a) A concordância da forma verbal far-se-á com o substantivo (expresso ou implícito) que se seguir à preposição. b) Quando a indicação de percentagem for precedida do artigo «os», a forma verbal será sempre a plural.

Exemplos

texto

a) 0,5 % das meninas desta escola vêm de longe; 50 % do açúcar é importado; b) Os 0, 4 % de navios ainda atracados vão partir hoje.

Regra

a) A forma não abreviada da data segue a ordem: dia, mês, ano; devendo o dia e o ano serem indicados por números; b) a forma abreviada das datas adotará a mesma ordem, sendo os elementos separados por hífens; c) Os números terão sempre dois algarismos, o que se conseguirá usando o zero à esquerda, quando necessário; d) os intervalos de datas ou de anos serão indicados com recurso ao N dash ou meio-quadratim; e) a indicação abreviada de horários será feita com recurso a dois algarismos, o que se conseguirá usando o zero à esquerda, quando necessário. Os símbolos circundantes deverão separar-se dos números por meio de espaço.

Exemplos

texto

a) 21 de janeiro de 1967; b) 21-12-1967 c) 21-01-1967 d) 21-01-1967–4-11-1997; 1967–1997; e) 09 h 30 min – 17 h 30 min.

Regra

Escrever-se-ão os nomes das moedas por extenso, reservando o recurso ao código ISO (por ex.: EUR) ou ao símbolo (por ex.: $) para contextos gráficos onde haja falta de espaço, como, por exemplo, gráficos e tabelas. Tanto o código ISO quanto o símbolo se escreverão após os números (e não antes deles) a que digam respeito e sempre depois de ter sido deixado um espaço.

Exemplos

colecao

50 EUR; 500 $

https://bibliotronicaportuguesa.pt/colecao/lista-moedas/

Regra

Devem distinguir-se estes dois sinais gráficos: o hífen (-) e o travessão, que pode assumir dois tamanhos: o do M, chamado M dash (ou quadratim), e o do N, chamado N dash (ou meio-quadratim). O M dash (—), mais comprido, deve usar-se em contexto textual. O N dash (–), mais curto, deve reservar-se para contextos numéricos, como a indicação de intervalos, por exemplo, de tempo. Os teclados comuns dos computadores não têm habitualmente uma tecla exclusivamente destinada ao travessão. Pode obter-se um M dash usando o teclado numérico e a seguinte combinação: alt+0151. Pode obter-se o N dash usando o teclado numérico e a seguinte combinação: alt+0150. Prefira-se o N dash para marcar o início de cada item numa lista de itens.

Exemplos

texto

— Sabe dizer-me quanto tempo demora a viagem até Coimbra? — perguntou-me um rapaz com ar aflito, na estação. Eu não sabia, mas levei-o até ao expositor dos horários e apontei.

— Diz ali: 15 h – 17 h.

Regra

O itálico serve para distinguir: a) estrangeirismos, mas os nomes de unidades escrevem-se sempre em redondo (por ex.: byte, hertz, volt, ohm); b) títulos de livros ou equivalente (filme, exposição etc.), que, porém, não retém o itálico quando reduzido a sigla (Diário da República, mas DR); c) nomes de navios, d) cognomes e apodos; e) marcas e modelos, mas, quando os modelos se identificam por números, estes permanecem em redondo; f) nomes próprios de animais ou objetos.

Exemplos

texto

a) hall b) As Horas c) Sagres d) D. Dinis, o Lavrador; Vítor Jorge, o Mata-Sete; e) Nissan Micra; f) Excalibur, Fiel

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/italico/

Regra

I. Escrevem-se por extenso todos os números até dez. Excetuam-se os seguintes casos em que se usam sempre números: a) datas e indicação de unidades de tempo; b) números de ordem pré-estabelecidos, como os de: 1. diplomas legais, 2. numerações do livro (edição, tomo, série, volume, capítulos, secções, subsecções, artigo, página, cláusula etc.), 3. moradas e quaisquer partes de edifícios, 4. classes de cargos, 5. quaisquer documentos, 6. quaisquer registos, 7. ciclos, anos e épocas de ensino, 8. quaisquer secções de serviço, 9. quaisquer secções geográficas, 10. nomes próprios; c) indicação de quantias em qualquer moeda (o extenso pode, neste caso, abreviar a escrita de números com muitos zeros); d) graus, minutos e segundos de ângulos e coordenadas, grados de um quadrante, graus de temperatura e graus de parentesco; e) números fracionários superiores a «nove décimos»; f) quantidades seguidas de abreviaturas de unidades de medida; g) números em contexto de discurso estatístico; h) percentagem e permilagem; i) fórmulas algébricas ou expressões aritméticas; j) números com casas decimais; k) números de telefone; II. Em início de frase, todos os números se escrevem por extenso, pelo que, quando tal se revelar inconveniente, formular-se-á a frase de modo a evitar que o número se encontre no início da frase. III. Escrevem-se por extenso os ordinais até «nono». IV. A parte decimal de um número separa-se por vírgula. V. Tanto à direita da vírgula quanto à esquerda da vírgula, dividem-se os algarismos em grupos de três a contar das unidades, exceto quando o número é apenas constituído por quatro algarismos, que não se separam. A separação deve fazer-se por «espaço protegido» (ctrl + shift + espaço), de modo a que o número não se veja separado em caso de translineação. Na circunstância de coluna, tabela ou quadro, a separação de números constituídos por quatro algarismos deverá observar-se igualmente, por razões de alinhamento.

Exemplos

texto

I.a) 50 anos, 3 meses, 4 dias e 2 horas, 3 minutos e 40 segundos, no dia 21 de janeiro de 2018 do século XXI; b)1. Lei n.º 1150; Decreto-Lei n.º 2/2018, parecer n.º 12/2017, Acórdão n.º 399/2010, base I, regra 1.ª; 2. 5.ª edição, tomo II, 3.ª série, volume I, 6.ª capítulo, 2.ª secção, 1.ª subsecção, artigo 4.º, página 9, 3.ª cláusula; 3. Rua da Artilharia, 18, piso 3 (ou 3.º piso), lote 1; 4. 1.º escriturário de 1.ª classe, piloto de 2.ª classe; 5. processo n.º 543, nota de honorários n.º 68; memorando n.º 89; 6. Registo C-567/45; Cota 11-67 CV; 7. 1.º trimestre do 2.º semestre do 3.º ano do 2.º ciclo de escolaridade; 8. 1.ª Secção Cível, 5.ª Conservatória do Registo Civil; 7.º Cartório Notarial; 9. 4.ª região cinegética; 10. D. Afonso III, João Paulo II; c) 600 euros, 86,8 milhões de libras; d) 39º 9′ 30”; 20 gr (grados); 37º C; primo em 2.º grau; e) 15/50; f) 60 m, 400 t, 3 km; g) A editora aumentou as vendas em 600 livros, dos quais 200 foram vendidos em livrarias e 300 foram vendidos on-line e 100 foram vendidos em feiras do livro; h) 30 %, 10%ₒ; i) x2+4x + 7 = 0; j) 4,45; III. 23.º. IV. 6758,3975 V. 67 427,564 76.

Regra

Usar-se-ão os parênteses retos para a) isolar uma integração do autor do texto numa citação b) isolar reticências ([…]) indicando este conjunto que houve um corte de texto citado.

Exemplos

texto

a) [A avó] despediu-se das outras doentes acamadas com desejos de melhoras e, de seguida, pediu a morada a uma enfermeira. b) Despediu-se das outras doentes acamadas com desejos de melhoras e […] pediu a morada a uma enfermeira.

Regra

Em enumerações terminadas com «etc.», dispense-se a vírgula que habitualmente precede esta abreviatura, pela mesma razão que se dispensará a vírgula antes da conjunção (incluída na abreviatura) na mesma posição.

Exemplos

texto

O produto era simples: não tinha diferença de cores, nem possibilidade de personalização, como fitas, botões, bordados etc.

Regra

Quando ocorram em sequência, adote-se sempre esta ordem: aspa, ponto, numeração de nota. Caso o sinal de pontuação antes da aspa seja igual ao sinal de pontuação depois da aspa, omita-se o sinal antes da aspa.

Exemplos

texto

No Livro do Almoxarifado de 1395 registam-se casas do rei na rua da Moeda, «a qual rua se começa no arnado de Coimbra e se vai derecta afinir na rua que vem do spital pera auga de runa».95

Regra

A diferença entre as siglas e os acrónimos é que os segundos se pronunciam como uma palavra (ONU) e, no caso das primeiras, as letras pronunciam-se uma a uma (CPLP). a) As siglas e os acrónimos escrevem-se com maiúsculas e sem pontos nem espaços entre as maiúsculas. b) As siglas e os acrónimos não têm plural, devendo este ser indicado pelos determinantes que os circundem. c) No desenvolvimento de siglas, as maiúsculas iniciais manter-se-ão apenas quando as regras da maiúscula eventualmente o imponham.

Exemplos

texto

b) Empresto os meus CD, mas nunca os meus DVD. c) Em 2001, foi instalado um ILS (instrument landing sistem) para aproximação à pista de aterragem.

Regra

1. Os símbolos não são abreviaturas, razão por que não se escrevem com pontos nem se pluralizam de nenhuma forma. Consistem habitualmente em letras minúsculas seguidas de algarismos colocados em expoente, exceto quando têm origem num nome próprio, sendo então a letra minúscula substituída por uma letra maiúscula. 2. Os símbolos empregam-se apenas a seguir a números, devendo preferir-se o extenso noutros contextos. Escrevem-se à direita e na mesma linha do número a que se referem. Não devem ser sobrelevados nem colocados entre a parte inteira e a parte decimal do número. 3. Os símbolos não devem ser dispensados a seguir aos números a que respeitam, mesmo em caso de repetição próxima que, noutra situação, poderia conduzir a elisão. 4. Os símbolos ºC, ºR e ºF não se separam com espaço dos números que os precedam. 5. Em todos os outros casos, os símbolos separam-se com espaço de palavras e números circundantes, devendo usar-se o «espaço protegido» (ctrl + shift + espaço), de modo a evitar separação indesejável, em caso de translineação. 6. Entre os números e o símbolo nunca se escreve a preposição «de».

Exemplos

texto

3. É preciso colocar pilares de 12 m em 12 m. 4. Está com 40ºC. 5. 60 %.

https://bibliotronicaportuguesa.pt/colecao/simbolos/

Regra

Em Portugal, como na União Europeia, «um bilião» significa 1 milhão de milhões (12 zeros). No Brasil, que segue o entendimento norte-americano, significa mil milhões (nove zeros).

Exemplos

texto

Regra

Embora nos atos jurídicos da União Europeia seja obrigatório usar a palavra «cent» para designar a centésima parte de cada euro, ficou prevista a possibilidade de cada país adotar designações próprias. A Comissão Nacional do Euro estabeleceu, em Portugal, as designações «cêntimo» e «eurocêntimo». Preferir-se-á a primeira.

Exemplos

Regra

a) É correta a construção que faz seguir à preposição «com» a indicação de uma situação considerada causa de outra, indicada na sequência de vírgula. Preferir-se-á, no entanto, outra construção, quando o sentido causal não resulte claro (Por exemplo: «Em 1979, com a construção da nova praça, a ampliação do edifício da câmara municipal e o novo parque de estacionamento, foi necessário retirar a estátua do sítio onde estava»). b) Não se usará esta construção atribuindo-lhe nenhum outro sentido.

Exemplos

texto

a) Com o fim do lanche, a fada do bosque caíra numa tristeza sem fim. Com a partida do fauno a aproximar-se, o silêncio avolumava-se. b) Foi um momento difícil, com as árvores sem saberem o que fazer e as aves poisadas por ali em aflição.

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/com/

Regra

O substantivo «grama», com o sentido de unidade de peso, é masculino.

Exemplos

texto

Duzentos gramas de queijo deste não é muito para o lanche…

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/grama/

Regra

Com o sentido de «estar em causa», «estar em debate», usa-se sempre e só a terceira pessoa do singular.

Exemplos

texto

Nestes casos, escreve-se com maiúscula inicial, mesmo quando se trate de nomes comuns.

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/tratar-se-de/

Regra

Com o sentido de «existir», o verbo «haver» só se conjuga na terceira pessoa do singular.

Exemplos

texto

Houve (= existiram) homens livres que lhe fizeram frente. E os homens livres houveram (= tiveram) a satisfação de o vencer.

Regra

Escreva-se «on-line» sempre com hífen e em itálico.

Exemplos

texto

Prefiro fazer os meus pagamentos on-line a fazê-los na loja do cidadão.

Regra

I. A lista de itens é um recurso gráfico que visa transmitir informação de forma mais organizada e clara. As regras de pontuação aplicáveis a texto que não se apresente desta forma também se aplicam numa lista de itens: a) a dois pontos não deve seguir-se maiúscula (exceto quando a maiúscula for imposta por regra alheia à circunstância da lista de itens), pelo que: 1. ou a lista de itens é introduzida por dois pontos a que se seguirão itens iniciados por minúsculas e terminados por vírgula ou ponto e vírgula, ou 2. a lista não será introduzida por dois pontos, seguindo-se itens iniciados por maiúscula e terminados com ponto final; b) os itens que não terminem com ponto final terminarão com vírgula ou ponto e vírgula, conforme já haja ou não vírgulas em cada item: se não houver, terminarão com vírgula; se houver, terminarão com ponto e vírgula. II. Para marcar o início de cada item, prefira-se o travessão (N dash: alt+0150).

Exemplos

texto

I.a)1. Em anos anteriores foram identificados alguns coronavírus que provocaram surtos e infeções respiratórias graves em humanos:
– o coronavírus SARS-CoV provocou, entre 2002 e 2003, a síndrome respiratória aguda grave;
– o coronavírus MERS-CoV provocou, em 2012, a síndrome respiratória do Médio Oriente.

I.a)2. Em anos anteriores foram identificados alguns coronavírus que provocaram surtos e infeções respiratórias graves em humanos. Seguem dois exemplos.
– O coronavírus SARS-CoV provocou, entre 2002 e 2003, a síndrome respiratória aguda grave.
– O coronavírus MERS-CoV provocou, em 2012, a síndrome respiratória do Médio Oriente.

I.b)

Em anos anteriores foram identificados alguns coronavírus que provocaram surtos e infeções respiratórias graves em humanos:
– o coronavírus SARS-CoV,
– o coronavírus MERS-CoV.

Em anos anteriores foram identificados alguns coronavírus que provocaram surtos e infeções respiratórias graves em humanos:
– o coronavírus SARS-CoV provocou, entre 2002 e 2003, a síndrome respiratória aguda grave;
– o coronavírus MERS-CoV provocou, em 2012, a síndrome respiratória do Médio Oriente.

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/lista-de-itens/

Regra

Escreva-se sempre «Internet» com maiúscula, uma vez que se trata de nome próprio. Escreva-se sempre «intranet» com minúscula inicial e em itálico.

Exemplos

texto

Desde meados dos anos 90, a reserva e o pagamento de viagens e alojamento através da Internet era possível, e a viragem do século trouxe uma generalização do conceito alterando radicalmente a forma de fazer turismo. Nas intranets das agências de viagens, os operadores partilham informação relevante sobre os destinos mais populares.

Regra

Usar-se-ão maiúsculas I. nos nomes próprios, nomeadamente: a) antropónimos reais ou fictícios, nomes de linhagem, cognomes e apodos; b) nomes de instituições c) nomes de animais, objetos, entidades ou seres mitológicos, mas será usada minúscula inicial quando um nome próprio for usado como um nome comum («Entrou na sala como um apolo»); d) topónimos reais ou fictícios, mas os topónimos que integrem nomes comuns escrevem-se com minúscula (por ex.: água de colónia, tinta da china, folha de flandres); assim como a designação dos acidentes geográficos que precedam topónimos escrevem-se com inicial minúscula (por ex.: rio Tejo, arquipélago dos Açores, mar das Caraíbas, serra do Marão, ilha da Madeira), assim como a designação de organização política ou social, administrativa ou político-administrativa que os precedam também se escreve com minúscula inicial (por ex: cidade de Beja, distrito de Lisboa, concelho de Castelo Branco, freguesia do Lumiar, província de Trás-os-Montes; e) locuções onomásticas; f) na designação de qualquer espaço público, como logradouros e quaisquer edifícios, mas escrevem-se com minúscula os correspondentes substantivos comuns (por ex.: «A igreja de Vila Chã vai ser restaurada», «A rua principal do meu bairro tinha uma florista ótima»); g) designação dos pontos cardeais ou equivalentes quando esta substitui nomes próprios geográficos; h) etnónimos reais ou fictícios, ou seja, a designação de povos, raças, tribos, castas, habitantes ou naturais de planetas, continentes, regiões, estados, províncias; mas escrevem-se com minúscula quando se designa apenas parte (por ex.: «Os portugueses ganharam aos franceses na final do campeonato»); i) nomes astronómicos, mas escrevem-se com minúscula os substantivos comuns (por ex.: «Vou sair do sol e pôr terra naquele vaso»); j) bibliónimos e equivalentes, como títulos de periódicos, de exposições, de filmes, de esculturas, de peças musicais etc., caso em que todas as palavras serão escritas com inicial maiúscula exceto as de ligação, regra que se estende a eventuais subtítulos; k) nomes de festividades; l) períodos históricos e culturais; m) designações de acontecimentos históricos; n) designações de moedas, quando entendidas no seu conjunto, mas escrevem-se com inicial minúscula quando se pretenda designar unidades da moeda (por ex.: «A minha camisola custou 50 dólares); II. em qualquer substantivo ou adjetivo que seja usado para substituir um nome próprio; III. na designação de atos de autoridade dos estados; IV. na designação de áreas do saber, cursos e disciplinas; V. os axiónimos (títulos e cargos) escrever-se-ão com maiúscula inicial apenas antes de nomes próprios, e quando haja imposições protocolares; VI. no segundo elemento de nomes compostos, cujo primeiro elemento se escreva com maiúscula inicial; VII. por imposição de regras de escrita de siglas, símbolos e abreviaturas (cf. neste Livro de Estilo); VIII. por imposição de regras de pontuação (por ex. depois de ponto final e ponto de interrogação).

Exemplos

texto

a) João, Belimunda, os Almorávidas, o Conquistador, os Reis Católicos; b) Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, Direção-Geral do Livro dos Arquivos e das Bibliotecas, Fundação para a Ciência e a Tecnologia; c) Milu, Excalibur, Chapéu Seletor, Neptuno, Deus; d) Lisboa, Hogwarts; e) Império Romano, República Portuguesa; f) Rua do Norte, Palácio da Pena, Praça da Alegria, Convento dos Capuchos, Basílica da Estrela; g) o Norte (o norte de Portugal), o Ocidente, o Oriente; h) Portugueses, Eslavos, Marcianos, Índios, Ribatejanos; i) Lua, Sol, Terra, Ursa Menor, Via Láctea; j) Código Civil; Diário da República; Anish Kapoor: Obras, Pensamentos, Experiências; E La Nave Va; O Pensador; Sete Peças em Forma de Boomerang; k) Natal, Páscoa, Carnaval, Sexta-Feira Santa, Todos-os-Santos, Ramadão; l) Idade Média, Romantismo; m) Reconquista; Revolução Industrial; Batalha de Aljubarrota; n) Dólar, Euro, Iene; II. O Infante morreu cativo em Fez; o Humorista Satírico (Ricardo Araújo Pereira) tem novo programa na televisão; o País (Portugal) tem eleições marcadas; a Igreja (a igreja católica) tem de refletir seriamente sobre o assunto; III. Lei das Armas, Decreto-Lei n.º 54/2018, Portaria n.º 701-H/2008; IV. na área da Literatura, teve boa nota a Biologia, decidiu licenciar-se em Matemáticas Aplicadas, o doutoramento em Crítica Textual é excelente; V. Os jornais publicaram uma entrevista com o diretor-geral da empresa, Eng. Bernardo Sousa; Ao Magnífico Reitor da Universidade; VI. Estado-Membro, Diretor-Geral.

Regra

Não esquecer que a conjunção coordenativa copulativa de orações negativas é «nem». Não substituir por «ou».

Exemplos

texto

A fada do bosque não convidou o fauno para o chá nem perguntou por ele ao beija-flor.

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/nem/

Regra

Não confundir a) a forma do verbo «abaixar», b) o advérbio «abaixo» com o sentido de localização inferior, c) a interjeição «abaixo» com o sentido de protesto, d) a locução adverbial «a baixo».

Exemplos

texto

a) Abaixou o ramo para ela passar, b) Segue abaixo a minha proposta de texto, c) Abaixo a tristeza! d) Esvaziou o armário de alto a baixo.

Regra

Não confundir a) a conjunção concessiva «conquanto» cujo sentido é «embora, não obstante» com b) sequência de preposição «com» e adjetivo «quanto», que exprime quantidade.

Exemplos

texto

a) Conquanto eu prefira o Sul, não me importo de passar uns tempos no Norte. b) Com quanto dinheiro viveu ele durante todos aqueles anos?

Regra

Não confundir a) o advérbio «contanto» que integra a locução adverbial «contanto que», cujo sentido é condicional (desde que, na condição de), b) a sequência de preposição «com»«tanto» com o sentido de quantidade ou valor.

Exemplos

texto

a) Contanto que haja silêncio, dormirei. b) Com tanto barulho não consigo dormir.

Regra

Não confundir a) «contudo», conjunção adversativa com o sentido de «no entanto», «porém» e b) a sequência da preposição «com» e o pronome «tudo», que significa «todas as coisas».

Exemplos

texto

a) Estou doente, contudo vou trabalhar. b) Tenho a certeza de que aguento com tudo.

Regra

Não confundir a) o advérbio «debaixo» com o sentido de «em posição inferior» ou «sob» e b) a sequência da preposição «de» e do adjetivo «baixo».

Exemplos

texto

a) Passa a vida debaixo das saias da mãe. b) Este menino passou de baixo a muito alto, num verão.

Regra

Não confundir a) o advérbio «decerto», cujo sentido é «certamente», «com certeza» e b) a sequência da preposição «de» e do pronome «certo».

Exemplos

texto

a) Estou decerto interessado na proposta. b) Soube de certo rapaz que estava interessado em ti.

Regra

Não confundir a) o substantivo «demais», com o sentido «os outros»; b) o advérbio «demais», com o sentido de acrescento equivalente a «além disso»; c) o advérbio de modo «demais», que significa «excessivamente», «demasiado»; d) a locução adverbial «de mais», que significa «para além da conta», «estar a mais» (noção de quantidade).

Exemplos

texto

a) Os demais podem sair daqui. b) Não me apetece sair. Demais, tenho de acabar um trabalho. c) O indivíduo falava alto demais. d) Tira daí esses malmequeres. São flores de mais.

Regra

Não confundir a) o advérbio «detrás», cujo sentido é «na parte posterior», com b) a sequência das preposições «de» e «trás».

Exemplos

texto

a) Há muito cotão detrás do armário. b) Esta mágoa já vem de trás.

Regra

Não confundir a) eminente, que significa «elevado, excelente» e b) iminente, que significa «prestes a acontecer».

Exemplos

texto

a) O eminente professor fez um discurso comovente. b) O número de livros era tal que o colapso da estante estava iminente.

Regra

Não confundir a) a conjunção «enquanto», que expressa a ideia de simultaneidade, de condição ou de estatuto; b) a sequência de preposição «em» e pronome «quanto» com o sentido de quantidade ou sentido de totalidade indefinida.

Exemplos

texto

a) Enquanto lavo a loiça, conto uma história ao menino. Enquanto respirar, estarei viva. Enquanto mãe, tenho a obrigação de me manter viva e de contar histórias ao menino. b) Em quanto fica este quadro? Em quanto vês, há um pouco de mim.

Regra

a) Não confundir as duas formas de indicar limites: «entre x e y», «de x a y». b) Ao iniciar uma enumeração, que se pretende dar por incompleta, por ser difícil ou impossível de completar, pretendendo mostrar-lhe o início, o fim e partes entre o princípio e o fim, não esquecer a fórmula a meio: «de x a y, passando por z, k, w».

Exemplos

texto

A fada do bosque convidou as mais estranhas criaturas para o chá daquele dia de verão. Eram entre 20 e 30 à mesa, por baixo da azinheira, e tinham de dez centímetros a três metros de altura. Foram servidas as mais exóticas iguarias: desde pólen assado em cama de espargos cor-de-rosa até ovos de aranha escalfados em néctar de purpurina azul, passando, claro, por vapor agridoce de chá das profundezas dos Himalaias.

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/limites/

Regra

Distinguir a) «ir ao encontro de» com o sentido de «ir na direção de» e b) «ir de encontro a» com o sentido de «esbarrar com», «chocar com algo ou alguém».

Exemplos

texto

a) O curso foi totalmente ao encontro das minhas expetativas. b) Ele queria ir de encontro ao portão da biblioteca, mas não teve coragem.

Regra

Os advérbios «bem» e «mal» modificam verbos. Os adjetivos «bom» e «mau» modificam substantivos. O grau comparativo de superioridade dos advérbios «bem» e «mal» é, respetivamente, «mais bem» e «mais mal». O grau comparativo de superioridade dos adjetivos «bom» e «mau» é, respetivamente, «melhor» e «pior».

Exemplos

texto

A menina comeu mais bem do que ontem. A menina tem melhor ar do que ontem.

Regra

Não confundir a) a conjunção «porquanto» cujo sentido é «visto que»; b) a sequência da preposição «por» e pronome «quanto», com o sentido de quantidade ou preço.

Exemplos

texto

a) Não levou o guarda-chuva porquanto teimava que não choveria naquela tarde b) Por quanto tempo pensavas continuar a enganar-me?

Regra

Não confundir a) a conjunção causal «porque», com o sentido de «uma vez que»; b) a conjunção final «porque», com o sentido de «para que»; c) o advérbio interrogativo «porque», que habitualmente precede um verbo; d) a sequência da preposição «por» e do pronome relativo «que»; e) a sequência da preposição «por» e do pronome interrogativo «que» (estando explícito ou implícito o substantivo «razão» ou outro).

Exemplos

texto

a) Não posso ir a Paris porque me zanguei com o Luís. b) Porque possa ir a Paris, vou reconciliar-me com o Luís. c) Perguntei ao Luís porque não fazíamos as pazes, para podermos ir juntos a Paris. d) O Luís explicou-me a razão por que já não gostava de mim nem de Paris. e) Ó Luís, não entendo: por que motivo não posso ir eu sem ti a Paris? Diz-me lá, Luís: por que caminhos se pode chegar a Paris?

Regra

Não confundir a) a conjunção «portanto» cujo sentido é «por isso» com b) a sequência da preposição «por» e do pronome  «tanto», com o sentido de quantidade.

Exemplos

texto

a) És uma fada, portanto tens asas. b) Bateste as asas por tanto tempo, que conseguiste voar acima das árvores.

Regra

Não confundir a expressão «quando muito», com o sentido de «no máximo», escrevendo «quanto muito».

Exemplos

texto

No bairro não havia conversa; quando muito, soltavam-se gritos de olhos esbugalhados para meter medo.

Regra

Não confundir a) a conjunção alternativa «senão», com o sentido de «caso contrário»; b) a conjunção adversativa «senão», cujo sentido é «mas»; c) a preposição «senão», com o sentido de «à exceção de», «a não ser»; d) o substantivo «senão», com o sentido de «inconveniente»; e) a palavra que integra a locução adverbial «senão quando», com o sentido de «de repente»; f) a sequência da conjunção condicional «se» e do advérbio de negação «não» g) a sequência da conjunção condicional «se» e do advérbio «não» (equivalendo a «ou»), para indicar alternativa em caso de incerteza.

Exemplos

texto

a) Devolva os livros à biblioteca, senão fica sem o cartão. b) Não só não devolveu os livros, senão foi buscar mais livros.  c) Hoje, não trouxe da biblioteca senão livros de João de Melo e, amanhã, não farei nada senão lê-los; d) A biblioteca não tinha um único senão; e) Estava a entregar livros na biblioteca, e eis senão quando ouço gritos vindos do depósito; f) Se não tivesse os livros apoiados, tinha-os deixado cair; g) Já tinha em casa dez livros da biblioteca, se não mais.

Regra

Não confundir a) o substantivo «sobretudo»; b) o advérbio «sobretudo» cujo sentido é «acima de tudo», «principalmente»; c) a sequência da preposição «sobre» e o pronome indefinido «tudo».

Exemplos

texto

a) Vestiu o sobretudo sobre a pele nua. b) Sobretudo queria sentir-se provocante. c) Entrou assim no escritório, subiu para cima da secretária e caminhou sobre tudo o que nela se encontrava.

Regra

Quando, por economia ou outra razão, se elide uma forma verbal numa frase, deve deixar-se no mesmo lugar uma vírgula.

Exemplos

texto

Quando o fauno se apresentou em casa da fada do bosque, as árvores temeram desastres, as flores tremeram; as aves, criaturas estranhamente silenciosas.

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/virgula-2/

Regra

Separem-se sempre com vírgula as orações coordenadas copulativas com sujeitos diferentes.

Exemplos

texto

A fada do bosque deu um jantar naquela noite, e o fauno não conseguiu dormir por causa do barulho, mas principalmente por causa dos ciúmes.

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/virgula/

Regra

Impedir-se-á a separação de predicado e complemento direto por meio de vírgula.

Exemplos

texto

Incorreto: «O fauno, tomado de angústia pelo entardecer no bosque, bem viu, que o fogo avançava derrubando árvores.»

Correto: «O fauno, tomado de angústia pelo entardecer no bosque, bem viu que o fogo avançava derrubando árvores.»

Regra

Impedir-se-á a separação de sujeito e predicado por meio de vírgula.

Exemplos

texto

Incorreto: «O fauno e a tartaruga que chegara no dia anterior e praticamente não dormira nada, apresentaram-se bem cedo à porta da fada, com uma dádiva inquietante nas mãos.»

Correto: «O fauno e a tartaruga que chegara no dia anterior e praticamente não dormira nada apresentaram-se bem cedo à porta da fada, com uma dádiva inquietante nas mãos.»

Correto: «O fauno e a tartaruga que chegara no dia anterior, e praticamente não dormira nada, apresentaram-se bem cedo à porta da fada, com uma dádiva inquietante nas mãos.»

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/virgula-3/

Regra

a) A escolha do pronome demonstrativo deve ter em consideração a proximidade daquilo que é referido pelo pronome ao sujeito da enunciação e ao interlocutor. Use-se «isto» e «este» (femininos e plurais correspondentes), em caso de ser referido algo próximo do sujeito da enunciação; use-se «isso» e «esse» (femininos e plurais correspondentes), em caso de ser referido algo próximo do interlocutor; use-se «aquilo», «aquele» (femininos e plurais correspondentes), em caso de ser referido algo igualmente afastado de ambos. b) A mesma escolha deve ser feita quando se refiram elementos no espaço («Dou-te esta flor, se me deres esses tremoços e me fores buscar aquela cerveja») e quando se refiram elementos mencionados em texto («O Parlamento não voltou ao assunto. O poema tinha sido politicamente aproveitado, mas isto nunca foi admitido, nem mesmo naquela sede»).

Exemplos

texto

Prova esta cereja. Vais ver que é melhor do que essas que estás a comer. Só não sabemos se é melhor do que aquelas que estão na cerejeira. Mas podemos saber…

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/pronomes/

Regra

O recurso ao pronome relativo «onde» implica que o seu antecedente signifique um lugar. Evitar-se-ão os entendimentos metafóricos desta ideia de lugar. Evitar-se-á a confusão entre a ideia de lugar e a ideia de pertença que, frequentemente, leva a substituir o pronome «cujo/a» por «onde».

Exemplos

texto

Incorreto: «Tratou-se de um puzzle complicado onde as peças, às vezes, tinham de ser acertadas».

Correto: «Tratou-se de um puzzle complicado cujas peças, às vezes, tinham de ser acertadas».

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/onde/

Regra

Evitar-se-á a construção que atribui à conjunção «se» a função de coordenar orações com sentido oposto, ou seja, atribuindo-lhe sentido equivalente à locução «ao passo que».

Exemplos

texto

Não aceitável: «se o rock a entusiasma, a música barroca irrita-a terrivelmente».

Aceitável: «o rock entusiasma-a, ao passo que a música clássica a irrita terrivelmente».

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/se/

Regra

Será dada atenção às propriedades semânticas dos enunciados de modo a evitar a) redundâncias inúteis (entendendo-se que a redundância pontual e consciente pode ser útil para efeitos de ênfase ou especificação); b) vocabulário inapropriado; c) afirmações ilógicas, que embora por vezes se defendam com a figura da metáfora ou da personificação, resultam em défice de clareza sem ganho de expressividade.

Exemplos

texto
https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/semantica/

Regra

Tratando-se de uma locução conjuncional causal, equivalente a «uma vez que», não se use para introduzir uma especificação.

Exemplos

texto

Correto: «Sendo que esta tradução segue o Acordo Ortográfico de 1990, como se explica tal opção?»

Incorreto: «A partir do próximo ano, todos os exames serão feitos em junho, sendo que os de Inglês serão feitos nos primeiros dias do mês.»

Correto: «A partir do próximo ano, todos os exames serão feitos em junho, sendo os de Inglês feitos nos primeiros dias do mês.»

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/sendo-que/

Regra

A expressão indica hierarquia, organização vertical. Não se usará com o sentido de «quanto a», «do ponto de vista de», «em relação a».

Exemplos

texto

Correto: «Há fogo ao nível do quinto andar.»

Incorreto: «É uma pessoa muito desequilibrada a nível emocional, embora muito forte ao nível das relações sociais.»

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/ao-nivel-de/

Regra

«em termos de» significa «no vocabulário próprio de». Não utilizar com o sentido de «em relação a», «do ponto de vista de», «quanto a» etc.

Exemplos

texto

Correto: «Em termos jurídicos, o que fizeste foi uma contravenção grave».

Incorreto: «Portugal foi chamado a adaptar-se às exigências decorrentes da adesão, em termos económicos e sociais, em termos de ordenamento legislativo e até em termos de organização».

Correto: «Portugal foi chamado a adaptar-se às exigências decorrentes da adesão, em vários aspetos: nos económicos e sociais, no ordenamento legislativo e até na organização».

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/em-termos-de/

Regra

a) Use-se para significar «em frente de», no sentido literal ou metafórico; b) não se use para indicar qualquer espécie de relação (de comparação, de causa e efeito etc.)

Exemplos

texto

Correto: a) «Face aos problemas emergentes, deixe-me perguntar-lhe se mantém a sua decisão». «Face à loiça partida, chorou de desalento.»

Incorreto: b) «Face ao ano que passou (= em comparação com o ano que passou), verificou-se este ano um aumento da criminalidade.»

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/face-a/

Regra

Embora se diga «Zona Euro», escreva-se sempre «zona do Euro» ou, como recomendado pela União Europeia, «área do Euro».

Exemplos

texto

A taxa de desemprego na zona do Euro diminuiu em junho.

Regra

a) Confirmem-se, na medida do possível, mas não se alterem, mesmo quando se apresentem necessitadas de correção. b) Escrevam-se entre aspas e nunca em itálico. c) Faça-se a integração no texto que acolhe as citações de modo a que as referências de ambos o textos não colidam (ex. de colisão: «O escritor confessou que «Eu escrevi este conto há mais de uma década»). Para o evitar, pode-se 1. anunciar a citação ou 2. integrar a citação de modo a que as referências do texto citado e do texto que acolhe a citação coincidam.

Exemplos

texto

c) 1. Foi o escritor que confessou: «Eu escrevi este conto há mais de uma década.» c) 2. O escritor confessou ter escrito o conto «mais de uma década» antes.

Regra

a) Junto de dois verbos plenos, em que cada um é núcleo de uma oração diferente, é obrigatória a colocação do pronome clítico junto do verbo de que seja complemento direto. b) Junto a perífrases verbais com particípio passado, é obrigatória a subida do clítico, colocando junto do particípio passado. c) Junto de perífrases verbais formadas por verbo pleno e verbo auxiliar, prefira-se não subir o pronome clítico para junto do verbo auxiliar, embora não seja obrigatório. d) Junto de perífrases verbais com gerúndio, prefira-se elevar o pronome clítico, embora não seja obrigatório. e) Junto de construções em que certos verbos (querer, conseguir, desejar, pretender, tencionar, tentar) assumem a função de auxiliar, prefira-se não subir o pronome clítico, embora não seja obrigatório.

Exemplos

texto

a) «Eles quiseram punir-me da pior maneira»; «Eu obriguei-me a aguentar tudo com um sorriso.» b) «A Maria tem-me visitado todos os dias.» c) Preferir: «Tu estás a condenar-me sem motivo». Não preferir: «Tu estás-me a condenar sem motivo». Preferir: «Ela está a encaminhar-se para casa». Não preferir: «Ela está-se a encaminhar para casa». d) Preferir: «Estas dúvidas são inevitáveis. A Marta vem-nas enfrentando há semanas». Não preferir: «Estas dúvidas são inevitáveis. A Marta vem enfrentando-as há semanas». e) Preferir «Quero lê-lo o mais depressa possível». Não preferir: «Quero-o ler o mais depressa possível». Preferir: «Não desejo reformulá-lo». Não preferir: «Não o desejo reformular». Preferir: «Pretendi encontrá-la». Não preferir: «Pretendi-a encontrar». Preferir: «O tio tentou convidar-nos». Não preferir: «O tio tentou-nos convidar».

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/cliticos/

Regra

Evitar-se-á usar «como» com função conformativa.

Exemplos

texto

Preferir:  «Os fatores que a comissão de inquérito considerou terem contribuído para o acidente foram os ventos fortes e o cansaço do condutor».

Não preferir: «Como fatores contributivos para o acidente, a comissão de inquérito considerou os ventos fortes e o cansaço do condutor».

 

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/como/

Regra

Tomar-se-á especial cuidado para não confundir com a realidade o que seja uma referência através da linguagem à realidade. Por exemplo, os nomes de pessoas numa lista não devem confundir-se com as pessoas, que não estão na lista.

Exemplos

texto

Não preferir: «Na lista que se segue, encontram-se as pessoas mais inteligentes de Portugal e arredores».

Preferir: «Na lista que se segue, indicam-se as pessoas mais inteligentes de Portugal e arredores».

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/referencia-realidade/

Regra

Alguns termos são atualizados em relação direta com o sujeito da enunciação e respetivo tempo («atual», por exemplo, significa o que é atual, no momento em que a palavra «atual» é pronunciada ou escrita). Se o tempo da enunciação não coincidir com o tempo referido no enunciado, far-se-á cuidadosa distinção.

Exemplos

texto

Preferir:  «No capítulo 3 do romance, António esquece-se até da noiva que então tinha.»

Não preferir: «No capítulo 3 do romance, António esquece-se até da noiva atual.»

 

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/tempo/

Regra

Não será contraída nenhuma preposição com nenhum elemento que se lhe siga, se à preposição se seguir oração infinitiva, embora se tenha já considerado esta regra uma estigmatização sem fundamento na prática dos falantes, nomeadamente na Gramática do Português (2013: I 903, 904).

Exemplos

texto

Preferir: «O colega referiu a possibilidade de a biblioteca vir a acolher um acervo importante.»

Não preferir: «O colega referiu a possibilidade da biblioteca vir a acolher um acervo importante.»

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/contracao/

Regra

Exceto em caso de mimetização do discurso oral, evitar-se-á, na escrita, a partícula de realce ou ênfase «é que», a qual acompanha frequentemente, na oralidade, os advérbios interrogativos. A eliminação desta partícula implica ajustamentos na frase que passam muitas vezes por inversões, nomeadamente de sujeito e predicado.

Exemplos

texto

Preferir: «Que te disse eu hoje de manhã?» Não preferir: «O que é que eu te disse hoje de manhã?» Preferir: «Porque não consigo decidir-me?» Não preferir: «Porque é que não consigo decidir-me?» Preferir: «Onde vais deixar-me, amanhã?» Não preferir: «Onde é que vais deixar-me, amanhã?»  Preferir: «Perguntei-lhe porque se tinha rido de mim». Não preferir: «Perguntei-lhe porque é que se tinha rido de mim.»

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/e-que/

Regra

Qualquer elipse se fará apenas no caso de anterior e próxima ocorrência de palavra igual dispensar a repetição. Caso por imperativos de concordância ou regência não haja coincidência total, a palavra não será elidida.

Exemplos

texto

Preferir: «A fada do bosque ficou num silêncio doloroso, pelo atrevimento e pela delicadeza que havia no gesto do fauno.»

Não preferir: «A fada do bosque ficou num silêncio doloroso, pelo atrevimento e delicadeza que havia no gesto do fauno.»

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/referencia-realidade-copy/

Regra

a) Considerem-se alternativas aceitáveis «mais que» e «mais do que», «menos que» e «menos do que», no contexto de comparações. b) Prefira-se «mais de» e «menos de», para indicar uma grandeza a partir de um ponto de referência.

Exemplos

texto

a) O João é mais velho que o Manuel. O Manuel é menos irritante do que o João. b) A Catarina não tem mais de 20 anos. A Rita não tem menos de 50 pares de sapatos.

Regra

Prefira-se «ter que ver», para transmitir o sentido «estar relacionado com». Embora ambas as locuções se considerem corretas, «ter a ver» é considerada um galicismo.

Exemplos

texto

Preferir: «A preferência da mãe nada tem que ver com a minha decisão.»

Não preferir: «A preferência da mãe nada tem a ver com a minha decisão.»

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/ter-que-ver/

Regra

Para significar obrigação ou necessidade, prefira-se usar o verbo «ter» seguido da preposição «de» («ter de»), embora já tenha sido admitido «ter que» para significar o mesmo, nomeadamente no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa (2001).

Exemplos

texto

Tenho absolutamente de ir ver a avó ao hospital.

Regra

Em caso de enumerações complexas, recorra-se ao ponto e vírgula para separar as partes da enumeração cujas partes tenham já sido separadas por vírgula.

Exemplos

texto

Preferir: «Quando o Jorge não estava ao meu lado tudo aquilo de que eu gostava perdia o interesse: aborrecia-me na esplanada ainda que estivesse uma tarde magnífica; o cheiro do pão acabado de cozer enjoava-me, se não o pudesse partilhar com ele; o mar encrespado era barulho; a sombra das árvores, deprimente; o voo dos pássaros, cansativo; o colorido das flores, vulgar.»

Não preferir: «Quando o Jorge não estava ao meu lado tudo aquilo de que eu gostava perdia o interesse: aborrecia-me na esplanada ainda que estivesse uma tarde magnífica, o cheiro do pão acabado de cozer enjoava-me se não o pudesse partilhar com ele, o mar encrespado era barulho, a sombra das árvores, deprimente, o voo dos pássaros, cansativo, o colorido das flores, vulgar.»

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/ponto-e-virgula/

Regra

Quando, na sequência de uma enumeração, se procede a um acrescento de diferente paradigma, ficará este separado por vírgula, mesmo que haja partilha de sujeito, de modo a esclarecer o leitor sobre a mudança.

Exemplos

texto

Todos os dias, a Madalena prepara o pequeno-almoço e o almoço, e sente-se confiante.

 

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/virgula-esclarecedora/

Regra

Evitar-se-á a construção em que o demonstrativo «este» ou «esse» acompanha a recuperação de palavra ou ideia expressa anteriormente em oração, assumindo funções de sujeito.

Exemplos

texto

Evitar: «Fui colher um cravo ao jardim, cravo esse que cheirava lindamente»; «Fui colher uma rosa ao jardim, rosa essa muito bem recebida pela Margarida». «Pensei em ir ao jardim colher rosas para a Margarida, ideia essa com consequências imprevistas».

Alternativas: «Fui colher um cravo ao jardim, que cheirava lindamente»; «Fui colher uma rosa ao jardim, e a rosa foi muito bem recebida pela Margarida». «Pensei em ir ao jardim colher rosas para a Margarida, ideia que teve consequências imprevistas».

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/pronomes-2/

Regra

Em caso de frase negativa, prefira-se o pronome «nenhum» (fem. e plur.) a «algum» ou «qualquer» (fem e plur.).

Exemplos

texto

Preferir: «Quando o pai saiu batendo com a porta, ele não sentiu nenhuma emoção.»

Não preferir: «Quando o pai saiu batendo com a porta, ele não sentiu qualquer emoção.»

Não preferir: «Quando o pai saiu batendo com a porta, ele não sentiu emoção alguma

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/nenhuma-qualquer-algum/

Regra

a) Eliminar o pronome possessivo, sempre que seja supérfluo, isto é, sempre que a eliminação não implique nenhuma perda de sentido; b) evitar usar com o sentido de «dele(s) / dela(s)».

Exemplos

texto

Preferir: «Diz-se que é uma fidalga francesa que transporta com ela a mãe e uma enorme fortuna.»

Não preferir: «Diz-se que é uma fidalga francesa que transposta com ela a sua mãe e uma enorme fortuna.»

Preferir: «A Teresa enternecia-se com aquele menino mimado que se enroscava no corpo dela e deixava de fazer de senhor.»

Não preferir: «A Teresa enternecia-se com aquele menino mimado que se enroscava no seu corpo e deixava de fazer de senhor.»

 

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/seu-sua/

Regra

Omita-se, sempre que seja supérfluo: «enquanto que», «evidentemente que», «naturalmente que», «desde [data] que» etc.

Exemplos

texto
https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/que-superfluo/

Regra

As repetições vocabulares demasiado próximas serão evitadas, exceto se eficazmente enfáticas. Evitar-se-á, por exemplo, o uso de mais de um «que» (pronome ou conjunção), bem como o uso de mais de uma preposição «para», na mesma frase, salvo em enumerações.

Exemplos

texto

Não preferir: «A mesma esperança que, poucos anos depois, me fez acreditar que descobriria as palavras que completariam os poemas que passei a escrever no caderno de argolas.»

Preferir: «A mesma esperança que, poucos anos depois, me fez acreditar na descoberta das palavras em falta, nos poemas escritos, a partir de então, no caderno de argolas.»

 

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/repeticoes/

Regra

Prefira-se usar o condicional em vez do pretérito imperfeito, sempre que exista a opção entre um tempo verbal e o outro.

Exemplos

texto

Preferir: «Se a fada do bosque tivesse acordado cedo naquele dia, já saberia da partida do fauno. O fauno caminhou toda a noite. Mais um pouco e alcançaria a orla do bosque.»

Não preferir: «Se a fada do bosque tivesse acordado cedo naquele dia, já sabia da partida do fauno. Mais um pouco e alcançava a orla do bosque.»

 

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/condicional/

Regra

Com o sentido de «estabilizar», «tornar firme», «fortalecer», preferir-se-á o termo «consolidar» em detrimento do metafórico «solidificar».

Exemplos

texto

Preferir: «É com base na nossa memória individual e na nossa memória coletiva (na cultura) que consolidamos a nossa personalidade.»

Não preferir: «É com base na nossa memória individual e na nossa memória coletiva (na cultura) que solidificamos a nossa personalidade.»

 

Regra

Prefira-se «particular» e «particularmente» para referir o que se oponha a «público». Prefira-se «especial» e «especialmente» para referir o que se oponha a «geral».

Exemplos

texto

Este livro, financiado por um fundo particular, foi especialmente cuidado.

Regra

Estes substantivos, que habitualmente significam estado ou caraterística de algo, não serão preferidos aos substantivos que significam o ato, efeito, possibilidade etc., exceto se se pretender precisamente significar estado ou caraterística. Distinga-se, por exemplo, consoante o sentido, o «acesso» da «acessibilidade», a «competição» da «competitividade» etc.

Exemplos

texto

Preferir: «É urgente que, no que respeita a transportes e acessos, se comece um novo ciclo.»

Não preferir: «É urgente que, no que respeita a transportes e acessibilidades, se comece um novo ciclo.»

https://bibliotronicaportuguesa.pt/curso_estilo/substativos-terminados-em-idade/