Sem título, por Luís Ramos

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São 17 h 11 min. É quase noite. E voltámos ao mesmo. Sempre o mesmo. Acordamos ainda de noite. Queremos a noite. Queremos o dia. Ah… Não é isto e isto não pode continuar. Eu tenho de sair daqui. Eu quero ser professor ou empresário. E quero ter muito dinheiro e uma mulher bonita. Quero […]

Deixa-te de picuinhices!, por Ana Rita Sintra

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Odeio quando as pessoas não deixam as coisas como elas estavam. Há uma razão para estarem naquele preciso lugar e não noutro qualquer. Há uma dinâmica, uma estética, uma facilidade de acesso… enfim, uma miríade de razões que não interessa agora enumerar por completo. Por exemplo, quando a porta está completamente encostada é porque há […]

A lagoa de barro, por Luís Ramos

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No meio do mato cerrado, havia uma antiga lagoa de barro. Dentro da lagoa, uma formiga tentava regressar à margem, percorrendo uma folha de rosmaninho. A poucos metros desta, um ser humano gritava de forma intermitente, quando a cabeça vinha à tona da água. Pelo trilho que passava junto à lagoa, caminhava outro ser humano. […]

Cair do muro, por Ana Rita Sintra

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Ela tem um sonho recorrente, que já nem sabe bem se será mesmo um sonho. Fica tudo emaranhado e confuso na cabeça dela, como os fios dos earphones atirados ao acaso para dentro da mala. Está num muro alto, ventoso e, de início, agradável, dada a vista deslumbrante de campos infinitamente verdejantes. Sente como se […]

Carta, por Luís Ramos

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O meu amigo Talé, grande construtor de sentimentos mas fraco na ortografia, pediu-me para corrigir uma carta de amor que ele pretendia enviar a uma rapariga chamada Biró, que o prendera no encanto dela. Como retribuição pelo favor prestado, pedi-lhe uma cópia da carta, que abaixo deixo transcrita. Eu, como sou fraco no sentimento… talvez […]

Sem cinto de segurança, por Ana Rita Sintra

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Tivera uma sensação estranha naquele dia, no comboio, ao voltar para casa. Sentara-se virada na direção contrária à direção em que o comboio seguia confiante, sobre as linhas de aço que se ramificavam interminavelmente. Inclinou-se para a esquerda, depois um pouco para a direita, deixando-se levar pelo movimento incessante da carruagem, igual ao da carruagem […]

Estatelada, por Ana Rita Sintra

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Estas mãos não são minhas. Olho para elas, vezes sem conta. Viro-as, examino-as ao pormenor. Não são minhas. Estão macilentas e têm dedos compridos e esguios com unhas a combinar. Veem-se todas as veias e estão manchadas, como se tivessem algum tipo de doença cutânea impossível de tratar. E parece que as vejo desfocadas, como […]

Liberdade condicionada, por Luís Ramos

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Inli, a criatura, nasceu no interior. O interior é delimitado por sequentes barras metálicas dispostas circularmente. O teto é branco pintado sobre betão no qual encaixam as barras. Em baixo, o chão é de betão forrado a azulejo. Aí nasceu Inli, numa coordenada que não sei precisar. Assim que nasceu, uma corrente branca fixada no […]