Sem título, por Luís Ramos

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São 17 h 11 min. É quase noite. E voltámos ao mesmo. Sempre o mesmo. Acordamos ainda de noite. Queremos a noite. Queremos o dia. Ah… Não é isto e isto não pode continuar. Eu tenho de sair daqui. Eu quero ser professor ou empresário. E quero ter muito dinheiro e uma mulher bonita. Quero […]

Um conto de Natal, por Luís Ramos

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Dia de primavera. No adro do templo, os comerciantes procedem à sua atividade. Jesus, ao vê-los, expulsa-os com severidade tamanha, gritando que não façam do templo um negócio. Os comerciantes, indignados, pedem-lhe um sinal de autoridade, e Ele responde que, se o templo fosse destruído, seria reconstruído em três dias. Os vendilhões retiram-se, furiosos, prometendo […]

Deixa-te de picuinhices!, por Ana Rita Sintra

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Odeio quando as pessoas não deixam as coisas como elas estavam. Há uma razão para estarem naquele preciso lugar e não noutro qualquer. Há uma dinâmica, uma estética, uma facilidade de acesso… enfim, uma miríade de razões que não interessa agora enumerar por completo. Por exemplo, quando a porta está completamente encostada é porque há […]

A lagoa de barro, por Luís Ramos

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No meio do mato cerrado, havia uma antiga lagoa de barro. Dentro da lagoa, uma formiga tentava regressar à margem, percorrendo uma folha de rosmaninho. A poucos metros desta, um ser humano gritava de forma intermitente, quando a cabeça vinha à tona da água. Pelo trilho que passava junto à lagoa, caminhava outro ser humano. […]

Indefinido, por Luís Ramos

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Ali há um espelho. Eu fui deitar-me defronte. – Pode vir também… se quiser… Isto de nos vermos ao espelho é muito importante! O espelho era tão cinzento. A sala estava tão escura. Eu acendi a lanterna do telemóvel e deitei-o no chão. O rosto ficou tão nítido no espelho. Eu pude contemplar o meu […]

Carta, por Luís Ramos

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O meu amigo Talé, grande construtor de sentimentos mas fraco na ortografia, pediu-me para corrigir uma carta de amor que ele pretendia enviar a uma rapariga chamada Biró, que o prendera no encanto dela. Como retribuição pelo favor prestado, pedi-lhe uma cópia da carta, que abaixo deixo transcrita. Eu, como sou fraco no sentimento… talvez […]

Sem cinto de segurança, por Ana Rita Sintra

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Tivera uma sensação estranha naquele dia, no comboio, ao voltar para casa. Sentara-se virada na direção contrária à direção em que o comboio seguia confiante, sobre as linhas de aço que se ramificavam interminavelmente. Inclinou-se para a esquerda, depois um pouco para a direita, deixando-se levar pelo movimento incessante da carruagem, igual ao da carruagem […]

Soberba intelectual, por Luís Ramos

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O mestre saudou Aqueap, o discípulo. O discípulo saudou Aqueen, o mestre. O mestre ensinou o discípulo a contemplar o invisível com o pensamento. O discípulo desobedeceu. O discípulo queria apenas contemplar o visível. O mestre ensinava que o invisível é sagrado. Mas o discípulo dizia para si que o mestre estava errado e que […]

Estatelada, por Ana Rita Sintra

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Estas mãos não são minhas. Olho para elas, vezes sem conta. Viro-as, examino-as ao pormenor. Não são minhas. Estão macilentas e têm dedos compridos e esguios com unhas a combinar. Veem-se todas as veias e estão manchadas, como se tivessem algum tipo de doença cutânea impossível de tratar. E parece que as vejo desfocadas, como […]